A E3 como piada dela mesma

 

A E3 tem como papel surpreender, criar expectativas e superá-las. Alimentar o público carente de novos jogos e jornalistas necessitados de hype para vender. Sinceramente, qual a última E3 que tivemos algo parecido com isto? Eu também não lembro…

Este ano tivemos uma das melhores conferências da Microsoft dos últimos anos, pelo simples motivo de ouvirem seu público e apresentarem jogos. Pode parecer redundante, mas nos últimos anos vimos muito mais tecnologias inovadoras e funções que pouco interessavam ao público que só pedia GAMES! Sua nova plataforma, chamada Xbox One X, demonstrou ser apenas um upgrade de hardware desnecessário, que apenas dá suporte à geração 4K e “diminui os loadings”. E assim como ano passado, a Microsoft joga a toalha de exclusivos, lançando seus jogos para o PC simultaneamente.

Na conferência da Sony, sofremos um gelo deles, com pouca interação e poucos títulos cativantes. Tivemos God of War, Shadow of Colossus, Uncharted, Life is strange, e em alguns momentos me perguntei em que ano estávamos, pois os títulos continuam o mesmo. Faltaram videos de gameplay de The Last of Us 2 e Red Dead Redemption 2, que o público aguardava. E, quem diria, o jogo que mais me agradou foi o Homem Aranha da Sony, mostrando um gameplay fluido como suas teias. Tivemos uma grande biblioteca de títulos VR, porém sem o destaque dos anos anteriores. Deixou transparecer que o apelo forte está em títulos AAA e que o máximo que teremos em VR será um simulador de pesca de Final Fantasy XV.

A Nintendo, após anos ignorando a E3  e lançando Nintendo Directs com suas novidades, decidiu se redimir. O primeiro momento foi quando Shigeru Miyamoto subiu no palco da Ubisoft, apresentando um jogo em que une forças com os Rabbids trazendo uma mistura de X-Com e Disgaea. Não bastando esta participação, a Nintendo apresentou uma conferência concisa, visando seu novo videogame Switch e trazendo títulos como Yoshi, Kirby, Mario e Metroid (após anos no limbo).

E os indies? Aonde estão? Sabemos que o mercado Indie cresce ano após ano, mas ao público da E3 não interessa isto. Queremos um show pirotécnico daqueles de deixar Michael Bay abismado; e foi isto que tivemos na primeira e memorável conferência da Devolver Digital. Seus jogos foram apresentados entre momentos de deboche da própria E3, que vão desde trejeitos e frases sempre utilizados, falsidade e seu apelo emocional para arrancar dinheiro do público. Foi ao mesmo tempo a mais real e surreal de toda a E3.

A E3 já possui a fama de “Aqui serão apresentados jogos que vocês não jogarão nos próximos anos”, com o custo enorme de projetos AAA e o tempo necessário para uma boa produção, nos próximos anos veremos gameplays dos mesmo títulos, com pouca empolgação e nenhuma surpresa. Ou alguém ainda acredita que Kingdom Hearts 3 e Final Fantasy VII remake serão lançados em breve?

A cada ano a E3 me surpreende menos, por apresentar sempre o mesmo espetáculo. Temos hoje o maior momento gamer do ano como uma sombra de E3 passadas, e como vimos pela Devolver, todos sabem disto.

 

 

OBS: Esta coluna não representa a opinião da ADJOGOS, e sim a do autor da postagem.