IPI menor não significa fomento ao setor de games

Em vigor desde agosto, decreto da União baixou imposto sobre acessórios de 40% para 32%
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A redução de impostos para jogos eletrônicos, anunciada em agosto pelo governo federal, foi recebida com cautela pelo setor de games no Brasil. De acordo com Everton Baumgarten, presidente da Associação de Desenvolvedores de Jogos Digitais do Rio Grande do Sul (ADJogosRS), a medida impacta pouco a área por estar focada inicialmente em um imposto de importação, assim beneficiando mais a manufatura. Com o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 15 de agosto, as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre consoles baixaram de 50% para 40% e as de portáteis de 20% para 16%. Já o IPI de acessórios passou de 40% para 32%. Entretanto, a medida, que beneficia o consumidor final, não representa necessariamente um impulso para a produção nacional de jogos digitais.

A indústria de jogos digitais conta com o Projeto Setorial de Exportação Brazil Games, parceria entre a Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para promover a produção nacional no exterior através de parcerias com associações empresariais, assim garantindo participação em feiras específicas do setor. No ano passado, a ADJogosRS fez parceria com o Governo do Estado, o Sebrae-RS e a Brazil Games, e teve um retorno de aproximadamente 500% em relação ao valor investido.

Baumgarten afirma que esse apoio é muito importante ao aproximar as desenvolvedoras brasileiras das empresas publicadoras. “Tem um mercado absurdo na China. Como eu chego nesse mercado? Preciso de um bom publicador que conheça esse mercado, pegue meu produto e localize ele para o público. Esse tipo de contato não acontece facilmente, e por isso a participação em feiras é muito importante”, diz.

A primeira edição do Brazil Digital Report, estudo realizado pela empresa de consultoria McKinsey & Company divulgado em abril, o Brasil tem o terceiro maior mercado consumidor de jogos no mundo, envolvendo mais de 60 milhões de pessoas, e a área gerou uma receita de US$ 1,3 bilhão no País em 2018. No último ano, mais de 1700 games foram produzidos nos 375 estúdios nacionais. Um deles é Dandara, jogo de plataforma desenvolvido pelo estúdio Long Hat House, de Belo Horizonte. Com uma protagonista baseada na guerreira homônima esposa de Zumbi dos Palmares, o jogo recebeu elogios da crítica especializada e esteve presente na lista de 10 melhores jogos de 2018 na revista Time.

De acordo com João Brant, um dos produtores de Dandara, a redução de impostos “com certeza é uma ajuda para o público comprar, mas é pouco, por enquanto, para o desenvolvedor”. Ele aponta que, mesmo que seu estúdio não tenha usufruído de um edital público para a produção do jogo, a indústria nacional sofre com dificuldades de infraestrutura, custos de hardware e cursos de graduação na área ainda em processo inicial. Portanto, aponta Brant, políticas de incentivo fomentadas pelo governo são importantes para o desenvolvimento da indústria de jogos, “assim como é importante para o cinema, o teatro e outras indústrias artísticas”.

Segundo Brant, é necessário superar a ideia de que jogos não são uma forma de produção cultural, e que essa ideia não deveria sequer ser considerada atualmente. “É igual cinema”, compara Brant. “Não se pergunta ‘você gosta de filme?’. Não é uma dúvida, todo mundo gosta de um filme ou de outro. A partir do momento que vai ficando assim com jogos, todo mundo jogando alguma coisa, isso vai ficar mais evidente, assim como é com a gente que é desenvolvedor. Não é uma coisa do dia pro outro, mas vai acontecer.”


Texto original por Carlos Villela, disponível em https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/09/702128-ipi-menor-nao-significa-fomento-ao-setor-de-games.html

Vem aí a 3ª edição da Women Game Jam Brasil, em duas cidades gaúchas

Dos dias 13 a 15 de setembro, acontece a 3ª edição da Women Game Jam Brasil, maratona de desenvolvimento de jogos focada no público feminino. O evento do Rio Grande do Sul, que nesta edição acontecerá simultaneamente em Porto Alegre e Novo Hamburgo, atingiu recentemente alcance internacional, tendo sido realizado de 7 a 9 de setembro na Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru.

A WGJ é organizada por entusiastas, estudantes e profissionais da indústria de games e tem como principal objetivo o aumento da visibilidade às desenvolvedoras e futuras desenvolvedoras de jogos, sejam mulheres cis, trans ou pessoas não-binárias, além é claro de incentivar a aquisição de conhecimento na área e o networking entre participantes. A ADJogosRS é apoiadora do evento, fornecendo a integração das empresas associadas como mentores dos grupos participantes. Ivan Sendin, Diretor Executivo da associação e representante da associada Epopeia, destaca a importância do evento:

“A Women Game Jam é um evento de grande importância para o cenário de desenvolvimento de jogos, pois busca reduzir a desigualdade entre desenvolvedoras e o mercado. Isso ajuda a aproximar mais a indústria de jogos das pessoas e a demonstrar a qualidade e o potencial que temos no Rio Grande do Sul, independente de gênero, raça ou qualquer identificação.”

Além das mentorias, a ADJogosRS fornecerá aos grupos participantes que desejarem tornar empresas associadas, bolsas de até 50% da mensalidade de associação no primeiro ano.

“Sabemos que muitas empresas surgem de Game Jams e esta, em especial, é uma oportunidade excelente para reforçar a entrada de mais mulheres no mercado de games. O subsídio da ADJogos ajudará, ainda, a inserir estas novas empresas em diversas ações de incentivo e negócios que realizamos.”

reforça Mau Salamon, membro convidado do conselho da associação e representante da associada Monster Crossing.

Em Porto Alegre, o evento acontecerá no espaço de coworking Fábrica do Futuro e, em Novo Hamburgo, no HUB ONE, no Feevale Techpark.

Fotos da 2ª edição da WGJ

O que é uma Game Jam?

Basicamente, uma Game Jam é um evento semelhante e uma gincana, onde em 48 horas (caso da Game Jam Plus) os times, compostos geralmente por 2 a 5 pessoas, devem desenvolver um jogo, da pré-produção à apresentação de um pitch comercial. O apelo de desenvolvimento em curto prazo é muito semelhante a uma entrega real de mercado, com a dedicação exigida pela indústria. É uma excelente oportunidade para mostrar as qualidades de quem quer entrar profissionalmente no mercado de jogos.

Redação: Mau Salamon